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domingo, 13 de abril de 2014

Atingidos pelo Aeroporto Leite Lopes: Pesquisa na rua


Sábado de pesquisa na rua.

Diante da alteração na lei de uso, ocupação e parcelamento do solo e de intenções da Prefeita Dárcy Vera em ampliar o Aeroporto Leite Lopes de Ribeirão Preto, fomos para rua conversar com os moradores que moram próximos ou dentro da área que servirá para fazer a ampliação do aeroporto e que foi alterada pela última revisão aplicada na lei municipal de uso, ocupação e parcelamento do solo.

O objetivo da pesquisa era saber se os moradores da área tem conhecimento de como a ampliação do aeroporto pretende ser feita e atingirá diretamente suas vidas, e saber se eles tem conhecimento de que o lugar em que moram passou a ser de uso misto (residencial e comercial) para uso estritamente industrial.

A pesquisa que elaboramos fez as seguintes perguntas aos moradores;

- nome;
- endereço;
- você reside dentro da área que mostra o mapa? Se sim, há quanto tempo?;  
- pelo seu conhecimento seu bairro é para qual uso? (residencial, comercial, misto);
- em relação à ampliação do aeroporto você é a favor, contra, indiferente?;
- você conhece a lei complementar 2502/2012 que torna estritamente industrial a área?;
- você acha que esta lei pode ajudar, prejudicar ou é indiferente?;
- você acha que o aeroporto internacional deve ser feito nesta área, em outra área ou é indiferente?

Novas ações de rua para a pesquisa serão feitas porque temos conhecimento de que a situação é delicada e precisa ser muito bem estudada, esclarecida e debatida com a sociedade.

Neste momento não há condições legais, sociais, ambientais, urbanas e técnicas que permitam a ampliação do aeroporto Leite Lopes, fazendo-se necessário, então, a construção de um novo aeroporto em outra área de Ribeirão Preto ou de cidades próximas.

Nem os estudos de impacto ambiental (EIA) e do risco de impacto ao meio ambiente (RIMA) foram feitos ainda, e, por determinação legal, nenhuma ampliação na estrutura atual do aeroporto LL pode ser feita sem esses estudos. Portanto, como esses estudos ainda não existem qualquer ampliação que se avise, é, além de falaciosa, proibida, impossível, inviável e contraproducente.

Mas muita gente, infelizmente, ainda desconhece essas condições que impossibilitam a ampliação. Por isso é tão necessário e salutar essa iniciativa.


Raquel Montero








O PARQUE PERMANENTE DE EXPOSIÇÕES, os EVENTOS PUTZ e a POLITIQUICE

EVENTO PUTZ – aqui é empregado com o mesmo sentido no artigo de Arnaldo Jabor e que pode ser resumido na capacidade de meia dúzia de sem-noção serem explorados por empresários espertos que promovem eventos, com grave  perturbação do sossego das comunidades do entorno e  com o beneplácito do poder público.

Aquilo que acontecia nos meandros do judiciário saiu a público. O Ministério Público acionou a CODERP[i] com uma Ação Civil Pública  na sua condição de administradora do Parque Permanente de Exposições (onde não existe nenhuma exposição!).

No dia 09/04/2014 o MP junto com a vigilância sanitária estadual e a municipal, fizeram uma vistoria no Parque[ii]. É “um descalabro” a situação do Parque, totalmente abandonado pelo poder público e em reportagem na TV[iii] ficou constatado algo de muito pior: o Parque Permanente de Exposições  (onde não existe nenhuma exposição!) está mesmo é detonado.



Só mesmo sem-noção podem pagar os preços dos tais eventos culturais do PUTZ e conviver com todo este estado de manutenção de sanitários e do lixo por todo o lado. Talvez estejam bem chapados ou  alienados para conviverem com isso e terem coragem de voltarem para o próximo.

Provavelmente não só pelo abandono mas também pelo seu mau uso, conforme o promotor avalia, ressaltando o desvio de finalidade do parque, com a realização de festas particulares com o agravante de que “este é um espaço público que não dá retorno algum para a comunidade”.

Essas festas particulares são aquelas em que toda a comunidade do entorno fica sem dormir por causa do ruído excessivo que dura a noite toda. Como a frequência é de classe média e os atingidos são os pobres, é possível que possamos considerar esse abuso como sendo um conflito de classe.

Ganha o showbiz, os negócios paralelos e outros tipos de negócios (como talvez o narconegócio) que conseguem garantir quer um monte de adolescentes sem-noção possam ficar pulando a noite toda como cabritos.

Ninguém consegue fazer isso sem uns estimuladores muito específicos.

Diversas denúncias foram feitas ao Ministério Público através de entidades e organizações da sociedade civil, dentre elas o Movimento Pro Moradia e Cidadania e o Movimento Pro Novo Aeroporto e todas foram confirmadas por laudos técnicos elaborados pela CETESB.

E qual o valor cobrado pelo Parque para que esses empresários possam arrecadar um gordo lucro, perturbando o sossego dos trabalhadores que moram no entorno (para eles e para a administração municipal, pobre é um quase-gente, e que por isso não tem muitos direitos) perante a fuçanguice pelo lucro?

Simplesmente uma merreca! E ainda deixam todo o espaço detonado, conforme a reportagem na TV mostrou.

Todo esse desenrolar da Ação Civil Pública e a constatação do fato de abandono e deterioração do Parque mostraram o total menosprezo da administração municipal com os seus próprios e a qualidade de vida da população quando se trata de garantir os bons negócios.

E o partido político que, dizem, é o dono da CODERP tenta resolver todo esse imbróglio devolvendo a gerência do Parque para a administração municipal.

Um pequeno parêntesis:

Importante ressaltar que o Conselho Municipal da Moradia também está no domínio desse mesmo partido que  até agora não deixou fazer nada para resolver ou implantar políticas publicas para a moradia popular. Seria bom que esse partido político também abdicasse do “comando” desse conselho e o devolvesse ao seu legitimo dono: a Sociedade Civil.

Voltando ao tema central:

Imaginam qual foi o comentário da administração municipal para a devolução do gerenciamento do Parque de Exposições (aquele que não realiza nenhuma exposição!)?




A preocupação com os shows é assunto dos empreendedores do showbiz e não deveria ser prioritária para o governo municipal mas sim o bem estar da população que fica submetida a uma crueldade decibélica.

Com essa confissão fica muito clara qual é a posição da atual administração pública: gerar negócios!

Mas essa “negocite aguda” ainda está infectando as iniciativas da administração publica porque já está agendada o tal Ribeirão Rodeo Music desde o dia 26 deste mês até ao dia 3 de Maio, no qual, além de azucrinar a vida dos moradores do entorno, ainda vão apertar “os treco” dos bois e cavalos provocando dor para que eles pulem para alegria dos felizes alienados apreciadores do sofrimento animal.

No final do mês de março, os moradores do entorno já tiveram o presente do PUTZ do Carnabeirão.

Aqui é importante relembrar que inicialmente esse tal “evento cultural” era realizado em vias nobres da cidade, situadas na Zona Sul. Os moradores – a parcela da classe média que não participava dessa festança cultural, é claro – reclamaram e expulsaram esse “evento cultural” para o Parque de Exposições.

Para onde? Para perto dos bairros de trabalhadores. Qual o prejuízo? Parafraseando certo programa humorístico, pobre é quase gente. Então pode ser perturbado que não tem problema.

Mas logo mais o judiciário resolve esse problema e nós também, nas próximas eleições.





[i]  CODERP Companhia de Desenvolvimento de Ribeirão Preto
[ii] Jornal A Cidade de 10/04/2014
[iii]http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/04/mp-notifica-coderp-por-problemas-no-parque-de-exposicoes-de-ribeirao.html

segunda-feira, 31 de março de 2014

Anos de chumbo: Comissão da Verdade ajudaria a resgatar e jogar luz à história local


30/03/2014 - 21:50



Maria Aparecida dos Santos (Cidinha) (1947-atual): Ficou 3 anos, 3 meses e 25 dias presa, período em que foi torturada por, inclusive, o delegado do Dops Sérgio Fleury. Mora em Ribeirão e é historiadora. (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)
 Em setembro de 1969, Cidinha chegou ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social) quase sem forças para ficar em pé. Ao seu lado, dois companheiros da Ação Libertadora Nacional (ALN) estavam baleados.
“Vocês caíram da escada? Trombaram com uma Fenemê [caminhão]”, ironizou o delegado Sérgio Fleury Paranhos, sentado sob um quadro com uma caveira e dois ossos cruzados, símbolo do esquadrão da morte da polícia. “Era um olhar metálico”, lembra Maria Aparecida dos Santos, então com 22 anos.
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Recém-saída de quatro dias ininterruptos de tortura na sede da Oban (Operação Bandeirante), a jovem ficaria mais dois meses presa no Dops – um dos locais mais temidos na ditadura militar. Depois, foi para o presídio de Tiradentes.
Dividiu a cela 6, entre 1970 e 1972, com a presidente Dilma Rousseff, que chegou a descrever como uma pessoa muito alegre, brincalhona, mas, como a grande maioria, muito sensível com o que acontecia e muito solidária. “Era uma pessoa que tinha convicção do que defendia, assim como todos nós.”
Cidinha recorda que sofreu na prisão todo tipo de violência: “cadeira do dragão, choques elétricos, sessões de espancamento, fiquei nua no pau de arara...”, diz Cidinha. Até hoje, com 67 anos, ela carrega problemas de audição pelos tapas que levou no ouvido. “Em alguns momentos, nem gritar conseguíamos. Tudo o que saía era um apelo rouco.”
Após três anos, três meses e 25 dias, ela foi liberada. Antes, foi ameaçada de morte pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra, outro expoente do regime militar. Lembro até hoje o nome de todos os meus torturadores, tenho muito a contar”, diz ela, que foi uma das 834 pessoas que deram depoimento na Comissão Nacional da Verdade. Em breve, deve fazer o mesmo na Estadual, conduzida pela Assembleia Legislativa.

Vereador Cangussu diz que Câmara não tem estrutura (Foto: Milena Aurea / A Cidade)
“Ribeirão tem um acúmulo tremendo de histórias, é um desperdício de memória não aproveitá-las”, diz o deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da comissão estadual. Criada em fevereiro de 2012, até o começo deste ano ela havia ouvido cerca de 500 testemunhas – entre elas, Áurea Moretti.
‘Não temos estrutura para isso’, diz vereador
O vereador Beto Cangussu (PT) reforça a necessidade de Ribeirão ter uma comissão própria, mas já adianta: “Não temos estrutura suficiente para isso, e para fazer algo superficial é melhor nem criar”, diz. 
Atualmente, o Museu de Imagem e Som possui alguns relatos gravados sobre o período. Entretanto, não há um projeto municipal voltado especificamente para resgate e preservação de memória. 
Questionadas pelo A Cidade, as assessorias de imprensa da prefeitura e da Câmara Municipal afirmaram não existir projetos de Comissão da Verdade ou similares em andamento.
“A Comissão não implica apenas o passado, ela é mais atual do que nunca. Se não entendermos a ditadura, não compreenderemos a nossa democracia insegura”, defende o deputado estadual Adriano Diogo (PT).


Uma noite de pesadelo que durou mais de 20 anos

Dia 31 de março traz o espectro de uma infelicidade. Foi num mesmo dia 31 de março, há 50 anos atrás, que o Presidente João Goulart foi deposto por uma aliança cívico- militar que imporia no Brasil longa ditadura dos generais.
Cinquenta anos não é tanto tempo assim. Aos que foram torturados, perseguidos, ameaçados, às famílias que perderam seus filhos, aos filhos que perderam seus pais, ao povo brasileiro que foi amordaçado, à humanidade que teve parte de sua população violentada, cinquenta anos estão aqui, em mais um dia 31 de março, tão presentes e reais na lembrança dos que viveram os dias de chumbo e na consciência dos que analisaram a história.
Cinquenta anos após mais de vinte anos de ditadura no Brasil traz a lembrança necessária para o repúdio a algo tão grotesco. É lembrar para que nunca mais aconteça, para que nunca mais se repita.
Não há argumento algum que justifique a violência de calar e não se permitir manifestações contrárias. Não há regime político legítimo que se apóie na força e não respeite a democracia do voto, da escolha, da liberdade. Não há nação desenvolvida onde seu povo é oprimido e seu trabalhador não é livre.
A imposição de pensamentos e interesses é a mais clara expressão do desrespeito e da violência. Nenhuma ditadura que ocorreu até hoje foi boa. Todas elas deixaram como legado, atrocidades e retrocessos. O que se verificou em todas elas foi a defesa incontestável, não aberta ao diálogo, dos interesses da elite econômico-financeira que sempre dominou o poder e que não admite qualquer projeto de reforma institucional que possa ameaçar seus privilégios, e assim passa a atropelar qualquer outra opinião ou defesa que seja divergente de seus interesses. Assim fizeram no Brasil, atropelando as pessoas e queimando os votos dados em eleições democráticas para a escolha de candidato que levou à Presidência da República quem não satisfazia às vontades dessa elite.
Jango foi o Presidente deposto e todo o povo brasileiro vítima de um golpe.
Por mais difícil que possam ser os desafios da democracia, ela é absolutamente o contrário de uma ditadura. Ela propõe liberdade e igualdade, valores que nos permitem dialogar e evoluir. Ou não será o diálogo nossa maior fonte de evolução?
Desse modo, embora fracassadas, é espantoso ter vivenciado recentemente manifestações favoráveis a um novo golpe militar no Brasil. Com todos os obstáculos que ainda temos que superar no país, vivemos uma democracia, que permite inclusive, críticas cotidianas divulgadas pelas mesmas elites golpistas de outrora, através de veículos de comunicação.
Olhar para a história é buscar o aprendizado para evitar que os mesmos erros do passado sejam cometidos novamente no presente e nos façam sofrer ainda mais no futuro.
Após tantos anos do golpe militar no Brasil o mesmo povo que foi escravo de mentes reacionárias e almas tiranas tem o poder proveniente do aprendizado da história de não ser mais escravo de ninguém. O sacrifício de todos aqueles que lutaram contra a ditadura, contra a espoliação do Brasil, contra a espoliação do povo, pode sempre nos servir de estandarte e imbuir nossos espíritos para que a liberdade e o respeito sejam sempre mais fortes do que a tirania.
Raquel Montero 
http://raquelbencsikmontero.blogspot.com.br/2014/03/uma-noite-de-pesadelo-que-durou-mais-de.htmlDia 31 de março traz o espectro de uma infelicidade. Foi num mesmo dia 31 de março, há 50 anos atrás, que o Presidente João Goulart foi deposto por uma aliança cívico- militar que imporia no Brasil longa ditadura dos generais.
Cinquenta anos não é tanto tempo assim. Aos que foram torturados, perseguidos, ameaçados, às famílias que perderam seus filhos, aos filhos que perderam seus pais, ao povo brasileiro que foi amordaçado, à humanidade que teve parte de sua população violentada, cinquenta anos estão aqui, em mais um dia 31 de março, tão presentes e reais na lembrança dos que viveram os dias de chumbo e na consciência dos que analisaram a história.
Cinquenta anos após mais de vinte anos de ditadura no Brasil traz a lembrança necessária para o repúdio a algo tão grotesco. É lembrar para que nunca mais aconteça, para que nunca mais se repita.
Não há argumento algum que justifique a violência de calar e não se permitir manifestações contrárias. Não há regime político legítimo que se apóie na força e não respeite a democracia do voto, da escolha, da liberdade. Não há nação desenvolvida onde seu povo é oprimido e seu trabalhador não é livre.
A imposição de pensamentos e interesses é a mais clara expressão do desrespeito e da violência. Nenhuma ditadura que ocorreu até hoje foi boa. Todas elas deixaram como legado, atrocidades e retrocessos. O que se verificou em todas elas foi a defesa incontestável, não aberta ao diálogo, dos interesses da elite econômico-financeira que sempre dominou o poder e que não admite qualquer projeto de reforma institucional que possa ameaçar seus privilégios, e assim passa a atropelar qualquer outra opinião ou defesa que seja divergente de seus interesses. Assim fizeram no Brasil, atropelando as pessoas e queimando os votos dados em eleições democráticas para a escolha de candidato que levou à Presidência da República quem não satisfazia às vontades dessa elite.
Jango foi o Presidente deposto e todo o povo brasileiro vítima de um golpe.
Por mais difícil que possam ser os desafios da democracia, ela é absolutamente o contrário de uma ditadura. Ela propõe liberdade e igualdade, valores que nos permitem dialogar e evoluir. Ou não será o diálogo nossa maior fonte de evolução?
Desse modo, embora fracassadas, é espantoso ter vivenciado recentemente manifestações favoráveis a um novo golpe militar no Brasil. Com todos os obstáculos que ainda temos que superar no país, vivemos uma democracia, que permite inclusive, críticas cotidianas divulgadas pelas mesmas elites golpistas de outrora, através de veículos de comunicação.
Olhar para a história é buscar o aprendizado para evitar que os mesmos erros do passado sejam cometidos novamente no presente e nos façam sofrer ainda mais no futuro.
Após tantos anos do golpe militar no Brasil o mesmo povo que foi escravo de mentes reacionárias e almas tiranas tem o poder proveniente do aprendizado da história de não ser mais escravo de ninguém. O sacrifício de todos aqueles que lutaram contra a ditadura, contra a espoliação do Brasil, contra a espoliação do povo, pode sempre nos servir de estandarte e imbuir nossos espíritos para que a liberdade e o respeito sejam sempre mais fortes do que a tirania.
Raquel Montero 
http://raquelbencsikmontero.blogspot.com.br/2014/03/uma-noite-de-pesadelo-que-durou-mais-de.html

domingo, 30 de março de 2014

POLÍTICA HABITACIONAL PARA GARANTIR MORADIA ADEQUADA

Jornal do SEESP JE447 março 2014


A reintegração de posse no Conjunto Habitacional Caraguatatuba, na Cohab II, em Itaquera, zona leste da Capital, concluída em 20 de fevereiro, expõe o quadro perverso da exclusão social, que tem como uma de suas faces o déficit habitacional. Sem ter onde morar, cerca de mil famílias haviam invadido o local em julho de 2013. Agora, foram obrigadas a desocupar os 940 apartamentos do “Minha Casa Minha Vida”. Apresentado como o principal programa para reduzir esse grave cenário, em sua segunda fase, esse enfrenta, contudo, problemas estruturais, na visão de especialistas.

No Estado, faltam 1,1 milhão de moradias, sendo 230 mil na Capital, segundo informação oficial. No País, são 5,4 milhões de residências – 8,8% dos domicílios brasileiros, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE/Pnad), relativos a 2011. Esse número se reduziu em 6,2% entre 2007 e 2011, segundo nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de maio de 2013. São Paulo correu na contramão, com uma elevação de 0,6%.

Conforme a assessoria de comunicação do Ministério  das Cidades, entre 2009 e 2014 (fases 1 e 2), foram contratadas cerca de 3,2 milhões de unidades para compor o “Minha Casa Minha Vida” em todo o País. O Estado de São Paulo conta com o maior número: 579.506. O valor do investimento é de R$ 198,96 bilhões. Todavia, até 31 de dezembro de 2013, haviam sido liberados apenas R$ 35,3 bilhões desse montante – recursos do Orçamento Geral da União. No programa de rádio “Café com a presidenta” veiculado em 9 de dezembro último, Dilma Rousseff informou que, do total contratado, 1,4 milhão de casas já haviam sido entregues.

Para o advogado e urbanista Rodrigo Faria Iacovini, pesquisador do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o programa, entretanto, “pouco se volta às necessidades habitacionais da população pobre brasileira, muito menos se baseia nos padrões estabelecidos internacionalmente para efetivação do direito humano à moradia adequada através de políticas habitacionais”. 

Segundo ele, sete elementos precisariam estar presentes para tanto: segurança da posse (o direito de morar sem o temor de remoção, ameaças indevidas ou inesperadas); disponibilidade de serviços, infraestrutura e equipamentos públicos próximos; custo acessível para aquisição ou aluguel da residência; condições de habitabilidade; não discriminação e priorização de grupos vulneráveis; localização adequada; e adequação cultural (respeito à identidade e diversidade cultural na forma de construir e nos materiais utilizados). Faria exemplifica: “Em termos de localização, a situação é crítica. Não se trata apenas da distância física dos empreendimentos ao centro das cidades, mas também da perpetuação da segregação social representada. Em regiões metropolitanas como São Paulo e Campinas, é possível observar que não somente se continua a produzir habitações em áreas muito longe, como isso continua a ocorrer naquelas regiões tradicionalmente reservadas à população pobre. 

E em muitos casos, ainda seria possível a produção desses empreendimentos em localidades mais centrais.” Também têm sido problemáticas, na sua visão, as questões da habitabilidade e da adequação cultural. Excessiva padronização dos imóveis, edificações muito pequenas, problemas construtivos, como grandes vazamentos, umidade, rachaduras, bem como de conforto ambiental, com pouca ventilação e ruídos excessivos devido ao baixo isolamento acústico, são algumas das consequências.

Na sua opinião, isso ocorre porque o “Minha Casa Minha Vida” foi desenhado “como uma forma de injetar recursos no setor da construção”, de modo a combater os efeitos da crise financeira internacional a partir de 2008. Conforme Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor do SEESP, por seu viés econômico, o programa resultou ainda em especulação imobiliária. “O preço do terreno nunca esteve tão inacessível como agora.”

Soluções
Na ótica de Faria, para sanar o déficit habitacional, deve se pensar em um conjunto de soluções, a integrar uma política definida para o setor. “Seria interessante, por exemplo, que se dispusesse de uma estratégia de locação social. É ainda preciso aproveitar o expressivo número de imóveis vazios existentes em áreas centrais das grandes capitais brasileiras, transformando-os em habitações de interesse social. Por fim, é urgente enfrentar a questão fundiária no País, ou seja, democratizar o acesso ao solo urbano infraestruturado e bem localizado para a população pobre.”

Para Kirchner, pode contribuir para mudar o quadro atual a implementação efetiva das leis federal e estadual de assistência técnica pública e gratuita à baixa renda. Assim, seria possível contar com engenharia pública na reforma dos imóveis vazios e melhoria dos usados. Com isso, os padrões exigidos ao direito humano à moradia elencados pelo pesquisador do LabCidade estariam garantidos.

 No caso da construção personalizada e com acompanhamento de profissional qualificado, exemplo bem-sucedido é o Programa de Moradia Econômica (Promore), instituído pelo SEESP em 1988 inicialmente no município de Bauru e hoje implementado também em Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto, em convênio com as prefeituras. Somente na primeira cidade, já foram atendidas 14 mil famílias.

Ato doi codi, MUITO IMPORTANTE

Convocatória do ato unificado “Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar”, em 31 de março de 2014, a partir das 9h, no pátio externo do prédio da Rua Tutoia, nº 921
Rua Tutoia, nº 921 - Antigo DOI-CODI

No dia 31 de março de 2014, completam-se 50 anos do golpe que instituiu a ditadura militar brasileira.

As práticas de repressão e de violência de Estado que marcaram o período autoritário ainda permanecem ocorrendo contra a população pobre e negra da periferia, bem como contra as manifestações populares que têm sido realizadas e todo o país.

Para completar a situação, há propostas de reformas legislativas conservadoras – lei antiterror, regulamentação das manifestações e a Portaria do Ministério da Defesa intitulada “Garantia da Lei e da Ordem” – visando coibir os protestos e amedrontar os manifestantes. Isso só incentiva a já tradicional truculência das Polícias Militares.

Diante desse cenário de continuidade das violações de direitos humanos, diversas organizações da sociedade civil e Comissões da Verdade estão construindo um ato político-cultural unificado para marcar essa lamentável efeméride e exigir a punição dos torturadores, assassinos e ocultadores de cadáveres da ditadura e da democracia.
O valor simbólico de realizar o ato “Ditadura Nunca Mais: 50 anos do golpe militar” nesse prédio tombado da Rua Tutoia, que abrigou o DOI-CODI e que agora deve ser convertido em um lugar de memória, é enorme para o movimento de direitos humanos em nosso país.
Por essas razões, as entidades e organismos que assinam a presente convocatória chamam a todas e todos para participarem e divulgarem esse ato no dia 31 de março de 2014, a partir das 10h, no pátio externo do prédio da Rua Tutoia, nº 921.

Que 2014 seja não apenas o ano da verdade, mas também o da justiça.

Ditadura Nunca Mais! Punição aos Torturadores de Ontem e de Hoje!

Para novas adesões, enviar mensagem até dia 24 de março de 2014 para o email
comissaodaverdadesp@al.sp.gov.br.



Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva"
Afropress - Agência Afroétnica de Notícias
Armazém da Memória
Associação dos Anistiados, Aposentados e Funcionários dos Correios e Telégrafos do Estado de São Paulo
Associação dos Ex-presos e perseguidos políticos da Convergência Socialista
Associação Juízes para a Democracia
Associação Paulista de Cineastas - APACI
Associação Paulista de Saúde Pública
ANEL - Assembléia Nacional dos Estudantes - Livre
Bloco do Saci da Bixiga
Central dos Movimentos Populares - CMP
Central dos Sindicatos Brasileiros
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil - CGTB
Central Única dos Trabalhadores - CUT
Centro Acadêmico de História (CAHIS) da Unifesp
Centro Acadêmico de História da Unicastelo
Centro Acadêmico de História da USP "Luiz Eduardo Merlino"
Centro Acadêmico Guimarães Rosa de Relações Internacionais da USP
Centro Acadêmico João Mendes Júnior, da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP
Centro Acadêmico XXIII de Abril da FATEC-SP
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Campinas
Centro de educação, estudos e pesquisas - CEEP
Centro dos Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
Coletivo Advogados para a Democracia - COADE
Coletivo Ampliações
Coletivo Canto Geral
Coletivo Catarinense Memória, Verdade e Justiça
Coletivo Contra Tortura - SP
Coletivo de Teatro do Oprimido Pagu pra Ver
Coletivo Geni
Coletivo Merlino
Coletivo Político "Áurea Moretti"
Coletivo Político Quem
Coletivo Sindical de Apoio ao GT "Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical"
Coletivo Zagaia
Comissão da Verdade da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Comissão da Verdade da OAB/SP
Comissão da Verdade da PUC-SP Reitora Nadir Gouvêa Kfouri
Comissão da Verdade da UNESP
Comissão da Verdade da UNIFESP “Marcos Lindenberg”
Comissão da Verdade de Bauru "Irmãos Petit"
Comissão da Verdade de Campinas
Comissão da Verdade de Diadema
Comissão da Verdade de Santa Catarina
Comissão da Verdade do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos
Comissão Municipal da Verdade "Vladmir Herzog"
Comitê contra o genocídio da população negra e periférica de São Paulo
Comitê Paulista Pela Memória, Verdade e Justiça
Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política
Comitê Popular de Santos pela Memória, Verdade e Justiça
Comitê Pró Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos de Blumenau
Confederação Nacional das Associações de Moradia - Conam
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana - CONDEPE
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo - CRP/SP
Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo - CRESS/SP
Consulta Popular
Cordão da Mentira
CSP Conlutas
DA de São Bernardo do Campo da UFABC
DCE da Universidade Federal do ABC - UFABC
DCE das Faculdades Oswaldo Cruz
Epicentro Cultural
Escola de Governo
Espaço Cultural Latino Americano - Ecla
Federação das Associações Comunitárias do Estado de SP - Facesp
Federação Nacional Dos Metroviários - Fenametro
Força Sindical
Fórum dos Ex-presos e perseguidos políticos do Estado de São Paulo
Fórum em defesa da vida
Frente de Oposição Socialista - FOS
Frente de Esculacho Popular - FEP
Fundação Maurício Grabois
Fundação Perseu Abramo
Grupo de Autogestão Habitacional de Ribeirão Preto GAHRP
Grupo Tortura Nunca Mais/RJ
Grupo Tortura Nunca Mais SP
Instituto Cidade Cidadã
Instituto Sedes Sapientiae
Intersindical
Juventude do PT - Oficial
Juventude Revolução
Kiwi Companhia de Teatro
Levante Popular da Juventude
Liga Brasileira de Lésbicas SP
Luta Popular
Marcha das Vadias de São Paulo
Marcha Mundial de Mulheres
Memorial da Resistência de São Paulo
Memórias da Resistência
MMS - Movimento de Mães Sem Creche
Movimento de Mulheres Olga Benário
Movimento Luta de Classes
Movimento Mães de Maio
Movimento Nacional de Direitos Humanos
Movimento Organizado Moinho Vivo
Movimento pelo Direito à Moradia - MDM
Movimento Popular em Apoio à Comissão da Verdade em Sorocaba
Movimento Pró Novo Aeroporto em Ribeirão Preto
Movimento Pró-Moradia e Cidadania de Ribeirão Preto
Movimento 
RUA - Juventude Anticapitalista
Movimentos Unidos pela Habitação - Muhab
Mudança de Cena
Nova Central
Núcleo de Pesquisa e Ação em Arte Comunitária - NUPEAC
Núcleo de Preservação da Memória Política
Núcleo Hana de Pesquisa e Criação Teatral
Partido Comunista Brasileiro - PCB
PCdoB - Partido Comunista do Brasil - PCdoB
Partido Comunista Revolucionário - PCR
Partido Socialismo e Liberdade - PSOL SP
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - 
PSTU SP
Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo
Pedra no Sapato - Coletivo de ativismo de Direitos Humanos
Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão - GT Memória e Verdade
Projeto ABRANGÊNCIAS - Imagens do Japão
Projeto Memória da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo - OSM-SP
Promotoras Legais Populares SP
Rede de economia e Feminismo
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo
Seminário Gramsci
Sempreviva Organização Feminista - SOF
Serviço de Assessoria Jurídica Universitária - USP
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campinas e Região
Sociedade Santos Mártires
SOS Racismo - ALESP
Teatro Studio Heleny Guariba
Teatro Popular União e Olho Vivo
Tribunal Popular
UNEGRO
União Brasileira de Mulheres - UBM
União da Juventude Brasileira - UJB
União da Juventude Rebelião - UJR
União da Juventude Socialista - UJS
União de Mulheres de São Paulo
União Estadual dos Estudantes - UEE
União Geral dos Trabalhadores - Brasil - UGT
União Nacional dos Estudantes - UNE
Viva, Periferia Viva