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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Tragédia em Pinheirinho: Movimento responde a Policia Militar

Ao


Setor de Gestão de e-mail da Policia Militar do Estado de São Paulo


Em resposta ao e-mail que nos foi enviado,  sobre ação dessa corporação na operação  de reintegração de posse de um terreno ocupado há cerca de oito anos por 1500 famílias, constituindo a maior comunidade favelada da América Latina, denominada Pinheirinho,  em São José dos Campos, tomamos a liberdade de comentar o seguinte:  

Este Movimento, que atua em Ribeirão Preto e região,  na luta em prol da construção de um novo aeroporto e dignidade no processo de desfavelamento implantado pela atual administração,   defende o diálogo entre todas as partes, como forma de gerir conflitos e principalmente evitar que esses mesmos conflitos possam ocorrer de forma que ponham em risco as instituições da cidadania e do respeito à pessoa humana, que fazem parte do arcabouço da nossa Constituição.

E, se o Estado, na sua maior amplitude, tem a obrigação de ser o provedor das condições de habitação social, não pode ser o algoz dos desprovidos de habitação por razões de renda para adquirir ou alugar um abrigo digno.

A Policia Militar constitui aquilo que se chama de braço armado do estado e é a única instituição legalmente habilitada a exercer a força.

E tem feito isso muito bem, através de técnicas, táticas e estratégias, para atender as mais variadas situações de segurança pública. Para isso tem um amplo treinamento de pessoal, incluindo-se as operações para reintegrações de posse.
                      
Os favelados ou os “invasores”, como certos setores da sociedade costumam denominar os sem teto que “invadem” áreas que deveriam ter a sua função social aplicada obrigatoriamente, como manda a Constituição, não são treinados, não apresentam técnicas nem estão preparados para enfrentar uma força policial mobilizada para evacuá-los. Existe, portanto, aqui, um descompasso.

Nas fotos das reportagens feitas e indicadas na mensagem, constata-se um pequeno grupo de garotos com escudos improvisados, capacetes de motoqueiros e outros artefatos, em pose fotográfica para álbuns de família, mas obviamente sem qualquer tipo de preparo para um enfrentamento sério a uma força militar, devidamente aparelhada e treinada.


Não podemos confundir a ação da Policia Militar com a ação do Estado, aqui inclusos os Poderes Executivos Municipal e Estadual e o Judiciário.

Os três Poderes, absolutamente alienados da Política Cidadã e divorciados dos direitos básicos fixados  na nossa Constituição, onde todo o território nacional não tem dono – é do povo brasileiro -  mas apenas se possui o direito de uso do solo. E para que esse direito possa ser exercido é necessário e indispensável que o direito adquirido para uso do solo cumpra a sua função social.

Uma das funções sociais do solo urbano é habitação  que por sua vez é um direito do cidadão.  Moravam, não como invasores, como afirma o texto em análise, mas como ocupantes, no exercício de um direito, de um terreno devoluto que não cumpria  qualquer função social. Era um grande vazio urbano. Quanto existe miséria social e a omissão do Estado em cumprir  a sua obrigação constitucional, o Estado da Necessidade se impõe naturalmente  pois se quem tem fome tem o direito natural de procurar comida onde  ela se encontre (e legalmente não pode ser punido por isso) da mesma forma  quem não tem teto conquista-o nos vazios urbanos, edificados ou não, não poderia ser punido porque a habitação é um direito natural e é reconhecido como um direito de cidadania.

Traduzindo, esse terreno não deveria estar  sub judice para reintegração de posse mas sim sub judice para desapropriação para cumprimento da função social do solo urbano, nos termos definidos do Estatuto da Cidade e no pagamento de impostos devidos e não pagos.

Os Poderes Públicos Municipal e Estadual, tinham a obrigação legal de interferir na gleba ocupada (mas não invadida), promovendo a devida urbanização, incluindo toda a infraestrutura urbana indispensável a uma vida digna e salubre.

Portanto, a responsabilidade dessa operação de reintegração de posse, num ato juridico  perfeito ou não, não cabe à Policia Militar mas sim à falta de responsabilidade da Prefeitura Municipal de S. José dos Campos, na pessoa do Prefeito e também da Câmara Municipal, assim como do Governo do Estado, por não terem cumprido as suas funções legais de garantir a cidadania a seus cidadãos. São cidadãos. Não eram invasores.

Quanto ao Judiciário, que seguindo as normas legais de reintegração de posse, determinou a ação de despejo dos ocupantes da área, também não seguiu os preceitos mínimos de garantia dos direitos especiais das crianças, dos idosos, das pessoas enfermas, entre outras, que têm direito a proteção especial do Estado. E o Judiciário é um dos Poderes do Estado.

Deveria ter exigido, tanto do Poder Municipal quanto do Estadual que, para se proceder à reintegração deveria estar previamente  garantida a condição básica de proteção à família e isso inclui habitação, que é um dos direitos básicos da cidadania segundo a Constituição.

Abrigo em escola, não é proteção à família, à infância, aos idosos. É improviso de lesa-cidadão. É omissão das autoridades. É negligência. É falta de respeito á cidadania. É uma vergonha, que recebeu merecidamente o repúdio nacional.

Na sua mensagem final,

A Polícia Militar do Estado de São Paulo, instituição legalista que é, deixa claro que, em seus 180 anos de existência, sempre trabalhou em consonância com o ordenamento jurídico e balizada em três princípios básicos, que são: respeito integral aos direitos humanos, filosofia de polícia comunitária e gestão pela qualidade, sendo seu único escopo o respeito ao cidadão, ao povo brasileiro e às instituições democráticas. E assim sempre será.

Cabe aqui um reparo: embora a ação da Policia Militar tenha sido a de cumprimento de uma ordem judicial, em consonância com o ordenamento jurídico, a sua atuação de respeito integral aos direitos humanos, de policia comunitária (ou seja integração com a população mesmo que favelada) e o respeito ao cidadão e ao povo brasileiro, realmente deixou a desejar.

A operação de reintegração de posse, se era uma obrigação legal da Policia Militar em fazer cumprir uma sentença judicial, somente deveria ter sido efetuada após a garantia, pela prefeitura de S. José dos Campos e do Governo do Estado, para quais locais dignos as famílias  removidas seriam instaladas, garantindo os direitos humanos e sociais das crianças e do idosos, entre todos os outros.

Como a ordem judicial foi cumprida sem que esses preceitos estivessem garantidos, a operação deveria ter sido adiada em nome do respeito integral aos direitos humanos, filosofia de polícia comunitária [...], sendo seu único escopo o respeito ao cidadão, ao povo brasileiro.

Para finalizar, o ocorrido foi o fruto do cumprimento de uma ordem, que foi obedecida e que cumpriu o seu objetivo. Mas, a questão não se resume a uma operação policial e aos seus custos humanos e de cidadania.

O problema não pode ficar limitado às operações da Policia Militar, que apenas cumpriu ordens, mas sim na inexistência de políticas públicas para a habitação popular pelos poderes executivos municipal e estadual que em lugar de destinarem essa gleba para o cumprimento da sua função social preferiram agir de forma “passiva” para que esse espaço voltasse ao mercado, tudo através de atos jurídicos ditos perfeitos.

E não foi só no Pinheirinho. Assim foi também com a Favela da Família em Ribeirão Preto, em que os tratores destruíram  moveis , utensílios e documentos dos favelados,  e ocorrência de grande número de feridos, inclusive advogados da OAB (abaixo fotos e links de matéria de cobertura pela imprensa) . E é assim pelo Brasil afora...








Aproveitamos para reiterar o nosso apoio integral às palavras proferidas pelo jornalista Ricardo Boechat, cuja íntegra dos comentários pode ser conferida no endereço 
                                  


O Grupo Gestor


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From: gestaodeemail@policiamilitar.sp.gov.br

To: novoaeroporto-emnovaarea-emribeirao@hotmail.com

Date: Thu, 26 Jan 2012 05:33:33 -0200

Subject: Operação Pinheirinho

Caro(a) amigo(a) da Polícia Militar,

Entenda a Operação Pinheirinho. A ação de reintegração de posse na Comunidade de Pinheirinho é da Justiça Estadual. A atuação da Polícia Militar foi em apoio aos Oficiais de Justiça para que a área fosse desocupada, sempre dentro da legalidade e com respeito incondicional aos direitos humanos e às pessoas. Caso algum fato pontual tenha se desviado dessa orientação, será rigorosamente apurado.
Histórico:

Desde o ano de 2004, a área se encontrava invadida e famílias ali se instalaram, dando início a uma demanda judicial de reintegração de posse que já se arrasta por mais de sete anos. Durante todo este tempo, muitas famílias foram se aglomerando na região e estimava-se em 700 famílias e 3.000 pessoas.
A reintegração deveria ocorrer no dia 17, contudo houve uma liminar da Justiça Federal e, na dúvida da competência, foi suspensa. Esse conflito foi afastado pela Corte Estadual que determinou a imediata reintegração, o que aconteceu no último dia 22.
O planejamento da ação:

Preocupada com a integridade física das famílias, a Polícia Militar planejou minuciosamente a ação com levantamento do serviço de Inteligência, comunicação prévia a todos os envolvidos por meio de ampla divulgação com uso de panfletos lançados de aeronave, comunicados à imprensa, além de contato direto estabelecido pelos policiais militares junto aos moradores.

O planejamento durou dois meses e meio, com todas as etapas comunicadas à autoridade judiciária estadual responsável pela a ação, envolvendo as necessidades de meios materiais para transporte e mudança do patrimônio das pessoas, assistência social, psicológica e tudo o que fosse necessário para o menor transtorno possível.

Sabia-se que a maioria das pessoas que lá residiam eram de bem, contudo havia também infratores da lei que perpetravam ações criminosas e prejudiciais à própria comunidade Pinheirinho, inclusive tráfico de drogas.
Outro ponto que causou preocupação da Polícia Militar foi os preparativos para o enfrentamento observado por alguns moradores, exibindo pontaletes, barricadas de madeiras e pneus, tudo para resistir à ordem judicial.

Preocupação comprovada, pois durante a ação foram detidas 32 pessoas, 9 ficaram presas e 13 carros, e uma padaria queimados.

Repercussão da ação:

Declarações falaciosas que têm sido propaladas por pessoas descomprometidas com os reais valores democráticos tentam macular a ação e legítima realizada pelos policiais militares, não obstante a disposição reativa, e até criminosa, demonstrada por manifestantes armados e preparados para o confronto, conforme se pode constatar nos links abaixo:


Por outro lado, instituições regularmente constituídas para defender os valores supremos, como direito à vida, à integridade física e à dignidade da pessoa humana, também se irmanam com a Polícia Militar na defesa da legalidade e nos apoiam no cumprimento dessa missão, conforme se observa em seus respectivos sites:


Mensagem final: A Polícia Militar do Estado de São Paulo, instituição legalista que é, deixa claro que, em seus 180 anos de existência, sempre trabalhou em consonância com o ordenamento jurídico e balizada em três princípios básicos, que são: respeito integral aos direitos humanos, filosofia de polícia comunitária e gestão pela qualidade, sendo seu único escopo o respeito ao cidadão, ao povo brasileiro e às instituições democráticas. E assim sempre será.

Polícia Militar do Estado de São Paulo
Compromisso com o cidadão.






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Encaminhamentos da Raquel (ajuda urgente) e do Reinaldo ( programação da Oficina Cultural Cândido Portinari)

de:   Raquel Bencsik Montero raquelbencsik@ig.com.br
data: 3 de fevereiro de 2012 15:43
assunto:    Fwd: [INR] Ajuda urgente

  
Instituto Nina Rosa

02/02/2012

Amigo dos animais,nossos irmãos de quatro patas do Pinheirinho em SJC precisam muito de nós e com urgência. 

Alguns protetores estão organizando a retirada deles do local na medida do possível e vários medicamentos são necessários (listados abaixo) para um tratamento emergencial. Além do listado, se você tiver cobertores, caminhas, toalhas, jornais, por favor leve até os postos de arrecadação.

POSTOS DE ARRECADAÇÃO em São Paulo e S. José dos Campos:
           
Centro de Adoção - Rua General Jardim, 234 Centro - São Paulo/SP
de 3ª a domingo das 10 às 20 horas - Tel.: (11) 3151-2536

Shopping Vale Sul - Av. Andrômeda, 227 Jardim Satélite
S. José dos Campos/SP

na feira de adoção do CAV ao lado do Tenda Atacadista
todos os domingos das 10 às 18 horas 
Tel.: (12) 9711-1204  Waldinéia (clube amigo vira lata)

Gratidão,
Nina Rosa

Lista de medicamentos urgentes:

20 cx doxiciclina 100mg
10 cx Flotril  injetavel
05 spray prata
05 Ivomec
05 Triatox
Capstar
Vermífugo para cão (20 cx) e gato(10 cx)

Instituto Nina Rosa - Projetos por amor à vida
Organização independente sem fins lucrativos
http://www.institutoninarosa.org.br

Para receber este informativo, 
cadastre e-mail aqui.
Siga o INR no Twitter: @ninarosabrasil



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Mensagem encaminhada ----------
From: reinaldo romero <rtromero@hotmail.com>
Date: Fri, 3 Feb 2012 18:08:49 -0200
Subject: FW: programação fevereiro/2012
Oba!!!

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO DE FÉRIAS DA OFICINA CULTURAL CANDIDO PORTINARI

A Oficina Cultural Candido Portinari, espaço da Secretaria de Estado da Cultura, destaca as atividades com início em fevereiro/2012:

 OFICINA: RECORTES DA VIDA COM POP ART

coordenação: Sheila Guimarães.
2 a 28/2 – terças e quintas-feiras – 18h30 às 21h30
público: adolescentes e adultos.

A partir do conhecimento dos conceitos e das características plásticas da Pop Art, a oficina propõe aos participantes a elaboração de um álbum de recortes que conte histórias de vida de cada um, por meio da utilização de fotos, desenhos, pinturas e textos.

Sheila Guimarães é graduada em Jornalismo e Design Gráfico, com formação complementar nas áreas de arte, multimeios e história oral.

OFICINA: ESCUTA E LIMPEZA CÊNICA NA CONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS

coordenação: Júlio César Avanci.
7/2 a 27/3 – terças-feiras – 18h30 às 21h30
público: adolescentes e adultos.

A atividade procura aprofundar e aprimorar o potencial expressivo do ator por meio de exercícios corporais, jogos dramáticos e improvisações, a fim de atingir uma pré-expressividade cênica que priorize a simplicidade.

Júlio César Avanci, formado pela EAD-USP, é professor de interpretação, diretor e ator de teatro, TV e cinema.

WORKSHOP: TÉCNICA VOCAL PARA O CANTO POPULAR BRASILEIRO

coordenação: Vania Lucas.

8/2 – quarta-feira – 14h às 18h.
público: adolescentes e adultos.

A oficina ressalta a percepção do corpo como instrumento vocal e, a partir daí, perpassa cuidados para a manutenção da voz, como alimentação, postura, atividades físicas etc.; técnicas, como impostação natural e afinação; e considerações sobre interpretação com base em trabalhos de importantes intérpretes da canção popular.

Vania Lucas é cantora, regente, preparadora vocal dos “Flautistas da Pro Arte” do Rio de Janeiro e integrante do “Paulo Jobim Trio”.

OFICINA: O TEXTO PUBLICITÁRIO NA ERA DIGITAL

coordenação: Romilson Madeira.

10/2 – sábado – 9h às 13h e 14h às 18h.p
público: adolescentes e adultos.

As tecnologias digitais oferecem novos modos de divulgação publicitária: a partir dessa premissa, a oficina busca observar historicamente e discutir as transformações do texto publicitário nas diversas mídias a fim de prover meios de utilizá-las adequadamente.

Romilson Madeira é mestre em Ciências da Comunicação pela USP, jornalista da Petrobras Transporte S.A. e professor universitário com experiência nas áreas de publicidade, propaganda e marketing.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas na sede da Oficina Cultural. Para consulta à programação completa, é só acessar o site www.oficinasculturais.org.br

SERVIÇO

Oficina Cultural Candido Portinari
R. Visconde de Inhaúma, 490 - 1º - Centro
Ribeirão Preto / SP
tel.: (16) 3625-6161 / 3625-6970
horário: de 2ª a 6ª feira – das 9h às 18h




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Encaminhamentos da Cidinha : Pinheirinho e CPI da Cohab

de:         Cidinha Santos
data:     1 de fevereiro de 2012 19:12
assunto:              Fw: [gramsci] Pinheirinho

Possibilidades da política

Marco A. Nogueira
sábado, 28 de janeiro de 2012


O que era para ser festa pelos 458 anos de São Paulo virou vergonha, preocupação e convite à reflexão.

O estopim foi aceso no domingo, 22, ao raiar da madrugada, quando a Polícia Militar paulista removeu à força os moradores de um terreno vazio do município de São José dos Campos, o Pinheirinho, pertencente à massa falida do investidor Naji Nahas. Cerca de 6 mil pessoas viviam na área de 1,3 milhão de metros quadrados.

A operação tinha o respaldo de uma decisão judicial estadual, contestada por setores da Justiça Federal.

Decisão judicial emanada, a PM foi a campo. O ambiente era de conflito, pois os ocupantes organizaram-se para resistir. E o que era para ser mero ato jurídico converteu-se numa batalha campal. Os militares expulsaram as pessoas de seus barracos, que foram sucessivamente destruídos por tratores. O confronto foi inevitável. Carros queimados, feridos, dezenas de presos, choques e pancadaria, cenas que se repetiriam nos dias seguintes. Tudo em doses desproporcionais ao que se tinha de fato no Pinheirinho: 1.500 famílias convencidas de que seria possível ter ali um canto para viver. Não havia exércitos inimigos nem “classes perigosas”, mas uma guerra terminou por eclodir.

A ocupação do Pinheirinho ocorreu em 2004. O acampamento proliferou. Converteu o terreno num bairro, com comércio e igrejas. Deu perspectivas de vida e moradia a milhares de pessoas. Ao longo do tempo, suas lideranças procuraram negociar a desapropriação pública do terreno e a atenção dos poderes municipais. Talvez não tenham tido a habilidade necessária, talvez não tenha sabido buscar os apoios e os meios necessários, certamente encontraram resistência, protelação e má vontade. Nos últimos tempos, era clara a vontade de se ter uma saída negociada. A solução, porém, foi sendo postergada pelo poder municipal, desprovido de inteligência e de política urbana. Município, Estado e União assistiram ao crescimento do bairro e nada fizeram para gerenciar o que ali estava se gestando. Tiveram 8 anos para isso. Aí, de repente, na calada da noite, decide-se remover à força os ocupantes. Insensatez.

É fácil criticar a PM, mas a ação foi estatal, autorizada. Teria agido a PM à revelia do governador ou a principal autoridade paulista não teve como escapar do fato de que “decisão da Justiça não se discute, cumpre-se”? Tão correta quanto esta máxima, é a consideração do modo como uma decisão deve ser cumprida, a avaliação de suas consequências. Não era evidente que a remoção levaria a choques e confrontos? Que milhares de pessoas seriam prejudicadas? Sabia-se disso tudo porque tudo era de conhecimento público. Processos de desocupação à força ferem direitos, produzem vítimas e criam muito mais problemas que soluções.

Apesar disso, não houve uma voz que ponderasse e suspendesse a operação. Que freasse o massacre que se anunciava. A falta de flexibilidade horroriza porque, no dia anterior, o Tribunal Regional Federal interrompera a reintegração de posse e também porque, uma semana atrás, estava bem avançado um acordo entre as partes envolvidas. Faltou política com P maiúsculo. Não apareceu ninguém – partidos políticos, lideranças democráticas, poderes públicos – para facilitar o encontro de uma solução negociada. Somente as lideranças do Pinheirinho mobilizaram-se, com a ajuda efêmera de alguns ativistas. Deu no que deu.

A repercussão foi imediata. As redes ferveram. A mídia repercutiu os acontecimentos. A OAB classificou como ilegal a reintegração de posse, realizada apesar de ordem da Justiça Federal mandando suspender a ação. Exacerbou-se o conflito de competências federativas. O governador de São Paulo prometeu verificar se houve abusos na operação. Da sociedade civil e de Brasília choveram críticas a ele e ao PSDB. Houve manifestações. A questão se politizou. O que era para ser ato pontual converteu-se em tema nacional, eleitoral, alimentado por uma tragédia social.

Por trás dele, um mar de dúvidas e perplexidades. Por que beneficiar proprietários em detrimento de moradores pobres? Não seria por um desejo não revelado de especulação imobiliária, por acertos espúrios entre alguns “anéis burocráticos”? Por que nada se fez pelo Pinheirinho no correr dos últimos anos, tempo em que os gestores públicos assistiram impassíveis à consolidação do bairro? Uma nódoa manchou os governos estadual e municipal, e o PSDB por implicação. Será difícil apagá-la. 

Ela respingou no sistema político como um todo, chegou a Brasília, ao Ministério das Cidades e não só a ele. Sempre é fácil apelar para o pacto federativo quando se trata de justificar a ausência de políticas e o abandono dos mais fracos. Também é fácil falar em soluções ex-post facto.

A falta de ação política positiva, capaz de gerar consensos e soluções, ficou evidente no Pinheirinho. Mas está em toda parte. Os ambientes atuais estão congestionados de posições referenciadas por princípios que não se compõem com facilidade: o desejo de justiça, igualdade e liberdade versus a exigência de controle. É uma polarização que só tem feito se agravar. Aparece no modo como se pensa e se pratica a política hoje, na tensão despropositada entre representação e participação. Mostra-se na face autoritária e no particularismo dos governos, sempre prontos a defender os mais fortes.

Será preciso esforço, ideias e tempo para que amadureçam soluções democráticas consistentes para os problemas que estão a emergir da revolução atual, que está revirando os fundamentos do viver coletivo, e desta crise orgânica que está fazendo com que o capitalismo aprofunde suas imperfeições, desorganize os sistemas de produção e distribuição, as formas de vida, as identidades e os modelos políticos, complicando e problematizando as capacidades coletivas de reação e emancipação. [Publicado em O Estado de S. Paulo, 28/01/2012, p. A2].

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A Cidade - Quarta, 01 de Fevereiro de 2012

Loteamentos particulares de Ribeirão entram na mira da CPI

Comissão deve apurar venda de lotes hipotecados e acima do existente

Monize Zampieri

A Cidade Gilberto Abreu propõe que CPI investigue possíveis fraudes em loteamentos particulares

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Cohab deve investigar supostas fraudes em loteamentos particulares de Ribeirão Preto. A pedido do vereador Gilberto Abreu (PV) - que formalizou ontem a solicitação, com votação prevista para a próxima reunião -, a comissão deve investigar a venda de lotes hipotecados e acima do número existente em loteamentos.

No requerimento, o vereador pede que a CPI convide o promotor do Direito do Consumidor, Carlos Cézar Barbosa, a expor casos já investigados pelo Ministério Público. "Dezenas de pessoas foram lesadas por empresas privadas que praticam esse crime na cidade e na região. É uma máfia que precisa ser investigada", afirmou, sem citar nomes de empresas.

Para o parlamentar, a investigação de loteamentos particulares não atrapalha a do suposto desvio de casas populares em Ribeirão. "A CPI apura fraudes na habitação no geral, seja CDHU, Cohab ou loteamentos particulares. Mesmo nos privados, alguém do setor público autorizou a ocupação de lotes hipotecados. Precisamos saber quem, quando, onde e como ocorreu. Se alguns membros provocaram o esvaziamento da proposta principal da CPI, vamos investigar as demais", argumentou Gilberto.


Contrário

O vereador Samuel Zanferdini (PMDB) é contra a ampliação nas investigações. "A CPI tem que ter foco. Venda de casas hipotecadas não é foco da CPI. Loteamento particular que vende casa é problema de construtora. Crime sem o envolvimento da administração é caso de polícia", justificou. Entretanto, a oposição deve conseguir aprovar a proposta porque o vereador Giló (PR), que presidiu a CEE do Parque dos Pinus, que vivia essa situação, já se manifestou favorável à investigação.

Promotor confirma casos investigados
O promotor Carlos Cézar Barbosa confirmou ontem que o Ministério Público investiga casos de pessoas que perderam suas casas porque a área em que foram construídas estava hipotecada e o loteador não a quitou. "Temos casos específicos no Parque dos Pinus, onde a área estava toda hipotecada para o Banco do Brasil e conseguimos sensibilizar a instituição, que permitiu que os moradores registrassem os imóveis", exemplificou.

Segundo Barbosa, alguns empreendimentos da Construtora Balbo estão nessa situação. "No geral, há desde conjuntos populares, como no Flamboyants, até um edifício na avenida Treze de Maio. Não há legislação proibindo que a prefeitura autorize empreendimentos em áreas hipotecadas", lamentou, emendando que a CPI pode ajudar na descoberta de novos casos.


Gazeta de Ribeirão - 02-02-2012





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Encaminhamentos da Raquel - CPI da Cohab

de:   Raquel Bencsik Montero raquelbencsik@ig.com.br

data: 1 de fevereiro de 2012 10:27

assunto:    CPI da COHAB

Acerca da decisão do juiz do forum estadual da comarca de Ribeirão Preto, Sylvio Ribeiro de Souza Neto, em negar o pedido de quebra dos sigilos bancário e telefônico de Marta Mobiglia e Maria Rosa Lopes Ferreira (acusadas de estelionato no suposto esquema de desvio de casas populares em Ribeirão Preto), feitos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COHAB, estamos esperando ação da CPI.

Isso porque diante do indeferimento do juiz diante do pedido de quebra dos sigilos bancário e telefônico das investigadas mencionadas, a CPI não tem que desistir do pedido, a não ser que queria desistir, mas não é o que queremos que faça.

Um pedido feito ao juiz, pode ser, mediante justificativa, negado ou autorizado pelo juiz e, da decisão do juiz, por sua vez, pode-se recorrer, como é a hipótese em questão.

É totalmente passível, na situação em questão, que a CPI da COHAB impetre um mandado de segurança da decisão do juiz que negou o pedido de quebra de sigilo das comunicações telefônicas das investigadas feito pela CPI da COHAB.

E ainda, além da possibilidade da CPI da COHAB recorrer da decisão de indeferimento, ela mesma pode decretar a quebra de registros telefônicos pretéritos das acusadas, ou seja, registros de com quem as investigadas falaram durante determinado período pretérito.

Uma situação é a quebra do sigilo das comunicações telefônicas, que é a chamada interceptação telefônica. Essa quebra só o juiz pode decretar. Outra situação é a quebra do sigilo dos dados telefônicos, que se refere aos registros de com quem a pessoa investigada falou por telefone. Essa quebra a própria CPI, e no caso, a CPI da COHAB pode decretar.

Como já decidiu o Supremo Tribunal Federal no julgamento do mandado de segurança 23.452/RJ, a quebra do sigilo bancário, fiscal e de dados telefônicos constitui poder inerente à competência investigatória das CPI´s, tendo em vista que esses atos derivam dos poderes de investigação que foram conferidos pela própria Constituição Federal às comissões parlamentares de inquérito e, na sequência, conferidos também pela Constituição Estadual de São Paulo e pela Lei Orgânica de Ribeirão Preto. 

Contudo, para que a CPI possa decretar, legitimamente e por autoridade própria, a quebra do sigilo de dados telefônicos das pessoas investigadas, ela deve demonstrar, a partir de meros indícios, a existência concreta de causa provável que legitime essa medida excepcional, justificando a necessidade da efetivação da medida, sem prejuízo de posterior controle jurisdicional dos atos em questão. E nesse sentido, dada as circunstâncias que propiciaram a própria criação da CPI (denúncias de suposto estelionato na COHAB e de suposta participação da prefeita Darcy Vera no esquema) fica óbvia a existência de causa que legitime a medida excepcional, ou seja, a quebra do sigilo dos dados telefônicos das investigadas, ou será que algum vereador considera que denúncia de suposto estelionato na COHAB e de suposta participação da prefeita Darcy Vera no esquema não são causas legítimas para a investigação?

Assim, pode e deve, a CPI da COHAB impetrar um mandado de segurança para recorrer da decisão do juiz que negou a quebra do sigilo das comunicações telefônicas das investigadas e, ao mesmo tempo, decretar (a própria CPI da COHAB) a quebra do sigilo dos dados telefônicos das investigadas.

Isso otimizaria o trabalho da CPI da COHAB e atenderia ao interesse público, notadamente,  nesse caso, de transparência e publicidade de informações que se espera dos trabalhos dos agentes públicos.

E a quebra do sigilo dos dados telefônicos não é uma medida menor que a quebra do sigilo das comunicações telefônicas, mas sim, uma informação adicional. E todas as informações adicionais, são bem vindas. Não é importante saber com quem as investigadas falaram sobre determinado período de tempo pretérito? 

Por óbvio que essa é uma informação importante e é justamente essa informação que a quebra do sigilo de dados telefônicos pode trazer, se a CPI da COHAB assim decretar.

E no que se refere a quebra do sigilo bancário das investigadas, a CPI  da COHAB, como já dito acima, pode ela mesma decretar essa quebra, então além de não ter perdido nada com o indeferimento do juiz (salvo, tempo), ela nem tinha que ter feito o pedido de quebra do sigilo bancário ao juiz, eis que ela mesma pode decretar essa quebra.

Eis as ações que esperamos da CPI da COHAB.

Raquel Bencsik Montero
Advogada
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Sábado, 28 de Janeiro de 2012 - 16h28

Justiça nega solicitação da CPI para quebra de sigilos

Na reta final e sem provas, CPI da Cohab aguarda apenas cópia do sistema de câmeras da Caixa Econômica


Monize Zampieri 

Foto: 03.jan.2012 - Matheus Urenha / A CIDADE


Marta Mobília (à esq.) e Maria Rosa (de vestido) chegam à Câmara para depor na CPI da Cohab

A Justiça negou o pedido feito pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Cohab para quebrar os sigilos bancário e telefônico de Marta Mobiglia e Maria Rosa Lopes Ferreira - acusadas de estelionato no suposto esquema de desvio de casas populares em Ribeirão Preto.

No entendimento do juiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto, responsável pelo inquérito policial, que corre em segredo de Justiça, o objetivo da CPI é analisar, acompanhar e obter informações sobre o suposto esquema para atuar na esfera administrativa e não na investigação criminal.

"É inviável admitir a Câmara como partícipe nessa investigação criminal, não vejo legitimidade. No inquérito em curso, em que estão atuando o Ministério Público e a Delegacia de Polícia, a CPI não pode obter dados sigilosos. Em sua manifestação, o MP teve o mesmo entendimento", disse o magistrado.

Para ele, a divulgação da decisão sobre o pedido da CPI não diz respeito à investigação criminal, portanto, não conflita com a determinação de segredo de Justiça.

Entretanto, no despacho, discorrido em três folhas, o juiz afirma que a CPI pode promover uma ação na esfera cível para tentar a quebra dos sigilos. "A Câmara tem legitimidade para querer a quebra dos sigilos, mas não na órbita criminal. Eles podem solicitar que o advogado da Câmara faça uma petição para que outro juiz avalie a justificativa", ponderou.

Surpresa
O indeferimento surpreendeu o presidente da CPI, Walter Gomes (PR). Porém, ele nega que a derrota possa provocar o encerramento dos trabalhos da comissão de inquérito. "Não estava sabendo [da decisão], levarei ao conhecimento dos demais membros na reunião de segunda. Seguimos pelo qual considerei o caminho mais correto, mas, se todos concordarem, tentaremos outras vias, como solicitar a quebra [de sigilos] direto à Telefônica ao Banco Central", disse.

Para Samuel Zanferdini (PMDB), sem provas, a CPI caminha para a reta final. "Fizemos a nossa parte, a maior expectativa para obtenção de provas era a quebra de sigilos, pela qual conflitaríamos as declarações de ligação e veríamos onde ficava o dinheiro arrecadado. Mas não custa tentar outras vias", ressaltou.